A Polícia Federal incluiu o Rio Grande do Norte entre os estados alcançados pela Operação Heavy Pen, deflagrada nessa terça-feira (7), com foco no combate à cadeia ilegal de medicamentos injetáveis usados para emagrecimento e controle glicêmico. A ação ocorre em 12 unidades da federação e envolve fiscalização em farmácias de manipulação, clínicas e empresas sob suspeita de atuar fora das normas sanitárias.
Ao todo, foram cumpridos 45 mandados de busca e apreensão, além de 24 ações de fiscalização. No Rio Grande do Norte, os alvos fazem parte de um conjunto investigado por possível participação na produção, fracionamento ou comercialização de substâncias sem registro ou de origem não comprovada.
A operação é realizada com apoio da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que acompanha a análise técnica dos produtos e insumos apreendidos. Entre os materiais identificados estão compostos utilizados na fabricação de canetas injetáveis, como semaglutida e tirzepatida.
Segundo os dados consolidados da investigação, foram localizados insumos suficientes para a produção de mais de 1 milhão de dispositivos injetáveis. Em uma das frentes da apuração, também foi identificada movimentação financeira de R$ 4,8 milhões associada a operações consideradas irregulares em empresas do setor.
A ação também mapeou a circulação da retatrutida, substância ainda em fase de estudos clínicos e sem registro em agências reguladoras. O composto foi apreendido em Goiás e apareceu em registros fiscais analisados em São Paulo.
Durante as diligências, equipes da Anvisa identificaram mais de 17 mil frascos de tirzepatida manipulados sem prescrição, além de 509 gramas do insumo farmacêutico ativo da substância. Também foram recolhidas mais de 37 mil ampolas de outros produtos manipulados.
A investigação apura desde a importação irregular de insumos até a distribuição e venda final dos medicamentos. As condutas podem configurar crimes como falsificação de produtos para fins terapêuticos, comércio irregular e contrabando.
Dados da Polícia Federal indicam crescimento nas apreensões desse tipo de produto. Em 2024, foram recolhidas 609 unidades. Em 2025, o número chegou a 60.787. Até março de 2026, já são 54.577 unidades apreendidas no país.

















