O novo reajuste no gás de cozinha já começou a chegar às distribuidoras, com aumento médio de R$ 7,11. Impulsionado também pela alta no diesel, o repasse ao consumidor final deve deixar o botijão entre R$ 8 e R$ 9 mais caro para o consumidor final, segundo o Sindicato dos Revendedores Autorizados de Gás Liquefeito de Petróleo (Singás/RN). A estimativa é que o impacto para a população passe a ser sentido a partir desta quinta-feira (9). Quanto ao preço final do produto, o sindicato não quis estimar um valor aproximado, afirmando que o preço do gás pode variar muito conforme a distribuidora. Apuramos que o valor poderá ficar entre 20 e 25 reais.
O presidente do Singás/RN, Ivo Lopes explica que o ajuste preocupa o setor, uma vez que o consumo do gás de cozinha pelas famílias deve diminuir após esse reajuste. “Na hora que você tem aumento, reduz o consumo. O poder de compra reduz”, aponta.
Segundo Ivo Lopes, ainda pode haver variação pontual até a sexta-feira (10), já que alguns estabelecimentos seguem vendendo estoques antigos. A tendência, no entanto, é de repasse generalizado. “Quem tem algum estoque ainda vai vender com o preço antigo, mas 90% da revenda, no dia 9, o cliente já está comprando entre R$ 8 e R$ 9 mais caro”, afirmou.
Os reajustes do gás liquefeito de petróleo (GLP) são influenciados por uma combinação de fatores globais e internos. No cenário internacional, conflitos geopolíticos — como tensões no Oriente Médio — impactam diretamente a oferta de energia e pressionam os preços. Já no âmbito nacional, pesam a política de preços da Petrobras, os custos logísticos e de distribuição, além da carga tributária estadual, como o ICMS. No Rio Grande do Norte, o valor do botijão tende a ser mais elevado devido aos custos de transporte e à menor escala de distribuição.
Algumas distribuidoras já enfrentam redução no ritmo de vendas, com estoques parados em função da queda no consumo. Segundo o gerente comercial da Mega Gás, Bruno Souto, a alta no diesel tem pressionado os custos de transporte, já que toda a cadeia depende de veículos movidos a esse combustível, o que já indicava um encarecimento do produto.
Ele afirma que o setor foi surpreendido por um novo reajuste no próprio gás, elevando ainda mais o valor final. “A gente já vinha sofrendo uma pressão muito alta pelo aumento do diesel, e ainda fomos surpreendidos com mais um aumento no preço do produto”, explicou.
De acordo com ele, a tendência é de queda no consumo, especialmente entre famílias de baixa renda. O gerente comercial destaca que o botijão pode chegar a custar entre R$120 e R$125, o que dificulta o acesso para muitas pessoas. “Muita família de classe C e D não vai ter como arcar, porque tem gente que tem até cinco pessoas em casa. Já era difícil comprar o produto, e agora com esse aumento?”, afirmou.
Edimilson Silva, proprietário da Ultragaz Edx, já contabiliza perdas na empresa, já que não consegue repassar integralmente o aumento sem perder clientes. “O consumidor acha que o aumento vem da nossa cabeça, então a gente não consegue repassar o valor total do aumento; o máximo que a gente consegue é de 8% a 10%. Então, a gente encolhe a nossa margem, né?”, lamenta.
Distribuidores potiguares já avaliam suspender a oferta do chamado “Gás do Povo”, diante do aumento nos custos e da perspectiva de queda no consumo. “Existem vários revendedores que disseram que iriam sair do programa devido ao repasse do governo, pois o valor que a gente recebe do governo fica inviável depois desse aumento. Ou o consumidor vai ter que pagar a diferença ou o revendedor não vai conseguir dar continuidade ao programa”, disse Edmilson Silva.
Reajuste do gás pressiona orçamento das famílias
Para os consumidores, o aumento no preço do gás de cozinha agrava ainda mais o aperto no orçamento doméstico. A dona de casa Francisca Auzenira relata que precisa comprar um botijão todos os meses, o que torna o impacto ainda maior. “Eu compro gás todo mês, às vezes dura só 15 dias. Aí, quanto é que não vai pesar no meu bolso? Tudo aumenta, menos o salário mínimo?”, questionou.
A auxiliar de serviços gerais (ASG) Araceli dos Anjos afirma que o preço já é elevado em relação à renda da população e que qualquer reajuste dificulta ainda mais a rotina. “Com certeza vai pesar. Na realidade, já está um preço bem alto para o que a gente ganha, e aumentando mais ainda vai dificultar a vida de muita gente”, disse.
















